Meus milhares de poucos leitores podem até achar que desvirtuei do objetivo deste blog, mas digo que não, intitulei como diário justamente para ter a liberdade de expressar o que quiser, ficando isento de qualquer explicação.
Mesmo assim, digo que mantive o foco na vida de um enfermo, logo que sofro de várias enfermidades, principalmente a espiritual.
Sempre fui bastante fechado, pouco comento sobre minha vida e minhas experiências (principalmente as tristes) e confesso que estou gostando de externar tudo isso, mesmo que deixando tão exposto e sem saber quem está lendo.
Contudo, como sei que grandes e fiéis amigos lêem este blog, para de certa forma se manter informado de como estou me recuperando deste acidente, falarei um pouco sobre.
Estou me recuperando bem (calma que eu detalho esse "bem"), aparentemente ando como uma pessoa comum, pelo menos nos primeiros 5 minutos. O que acontece é que tenho constantes dores no calcanhar esquerdo, onde fraturei, mas segundo o médico e o raio-x, não existe mais a fratura e segundo este especialista, a dor é normal (estranho, né? a dor ser normal).
A outra fratura também está curada, porém tenho certa limitação no movimento do tornozelo, que segundo o mesmo especialista, só posso melhorar esse movimento retirando a placa e os parafusos (que estavam ali apenas para segurar o osso no lugar certo, enquanto o corpo "soldava" o mesmo) e retomando a fisioterapia, desta vez, mais intensa que antes.
Até o dia de hoje (13), não recebi um "puto" do (in)responsável pelo acidente e tudo que precisei fazer foi por conta própria (na verdade, com ajuda dos parentes mais próximos, aqueles que não sumiram depois do acidente), várias consultas, 10 sessões de fisioterapia, vários raios-x e o translado de casa para o hospital, clínica, etc. A partir deste mês melhorou, pois agora tenho plano de saúde (recomendo a todos).
Tenho direito de receber o seguro obrigatório em caso de acidentes de trânsito, o famoso DPVAT, porém para chegar até o pote de ouro, há uma jornada épica, onde muitos são vencidos pelo cansaço.
Até que eu estava indo bem, fiz um exame há 90 dias no IML para atestar minha debilidade de caráter permanente (a dor constante e a limitação de movimento, me impedem de levar uma vida "normal"), porém neste primeiro exame, o perito achou cedo para dar esse “veredicto” e pediu que eu retornasse 90 dias depois.
Deveria ter voltado lá semana passada para fazer este exame, inclusive, até meu traumatologista me deu esse atestado, o que torna ainda mais fácil que a perícia do IML chegue a mesma conclusão (que é óbvia), mas meu Advogado, sumiu, escafedeu-se, farrapou, não apareceu, me deixando a míngua.
Não foi por falta de aviso, passei todos os dias da semana que antecedia o exame entrando em contato e alertando da data, mas como na minha vida (eu choro mesmo) tudo é mais complicado (as vezes impossível), terei que esperar.
Ainda não sei como nem quando farei novamente este exame, mas só depois dele, poderei enfim dar entrada no seguro e aguardar uns 8 meses, se tiver sorte, por algum trocado.
O mesmo processo serve para a ação contra o filho DE mãe de motorista de ônibus da linha 101 Grotão.
UPDATE: Sei que pareceu confuso, mas só quis dizer que o responsável pelo acidente e o motorista de ônibus desta linha, são filhos de R#$%*#$%#.
Quer dizer, tudo girava em torno deste exame, portanto ele era a coisa mais importante do mundo para mim (para ele também, já que ficará com uma apetitosa fatia do bolo), mas ele esqueceu ou priorizou outra coisa. Assim que tiver novidades a respeito, atualizo aqui, afinal, comedia da vida real (e dos outros) é sempre atrativa, não é mesmo?
Enquanto isto, continuo andando de ônibus e rejeitando ligações dos credores, já que eles não gostam nem acreditam nas minhas histórias tristes. Inclusive, se tiver algum lendo isso, peço paciência, o aleijado vai pagar todos vocês, quer dizer, eu acho que sim.
P.S. Prezado Advogado, se por ventura estiver lendo isto, Aconselho: Se quiser mudar de profissão, acredito que se dará bem como motorista de ônibus da linha A101 Grotão – João Paulo II.
terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Cadê a graça?
Nem na minha pior fase depressiva e decrépita, senti tanta ânsia pela morte. Nem mesmo quando passava os dias trancado no quarto ouvindo incessantemente Legião Urbana, mas precisamente Clarisse, a faixa 6 do álbum Uma Outra Estação, tomando vinho e o que tivesse pela frente, marcando o corpo com uma tesoura de tamanho médio e cabo amarelo e desejando que entre um corte e outro, atingisse "sem querer" uma véia fatal e ali pudesse ver o mundo em preto e branco, como nos filmes onde o espírito sai vagando sem rumo.
Raspar a cabeça com uma gilete velha, sair de casa e voltar alguns dias depois com cicatrizes ainda maiores, não me trouxeram nada de bom, pelo contrário, me distanciava cada vez mais do meu objetivo, que era chamar a atenção. Essa era minha forma de gritar pros quatro cantos que eu não estava bem, que os erros dos outros estavam afetando minha vida e precisavam parar de cometê-los ou mais pessoas sofreriam com aquilo, mas não, conquistei mais desprezo, mais indiferença e fui me tornando um ser inquieto, esquisito e cada dia mais ensimesmado.
Permiti que pouquíssimos amigos tomassem conhecimento, mesmo que parcialmente, da minha história e logo depois, os via se afastando ou eu os afastava, ninguém quer se responsabilizar pelo sofrimento alheio, mesmo que seja com um simples conselho. Isso foi bom, me tornou forte, consegui blindar meu coração para determinados sentimentos, pena não para todos os sentimentos.
Me sinto vivendo num deserto, andando sem rumo, sem água, sem forças, mas de repente, avisto um oásis incrivelmente belo, com frutos e água em abundância e todo cansaço é substituído por vivacidade e entusiasmo, a alegria é radiante, felicidade perfeita. O que vem depois todo mundo sabe, nada era de verdade, tudo ilusão.
Essa montanha russa de sentimentos e instabilidade de humor, não tem nenhuma graça, é irritante até para quem está próximo, pois gera uma espécie de pena e repugnância, pois julgam logo ser um fricote de quem tem muito, mas não valoriza.
Concordo, eu mesmo sinto isso por alguns, mas como todos dizem, eu digo: meu caso é diferente. Será?
Mas não quero convencer ninguém das minhas convicções e revoltas com o mundo e seu Comandante, mesmo porque, também tenho agradecimentos e admiração, e assim sigo sem graça, ora vivendo, ora sobrevivendo, mas sempre tentando... até quando? não sei.
Raspar a cabeça com uma gilete velha, sair de casa e voltar alguns dias depois com cicatrizes ainda maiores, não me trouxeram nada de bom, pelo contrário, me distanciava cada vez mais do meu objetivo, que era chamar a atenção. Essa era minha forma de gritar pros quatro cantos que eu não estava bem, que os erros dos outros estavam afetando minha vida e precisavam parar de cometê-los ou mais pessoas sofreriam com aquilo, mas não, conquistei mais desprezo, mais indiferença e fui me tornando um ser inquieto, esquisito e cada dia mais ensimesmado.
Permiti que pouquíssimos amigos tomassem conhecimento, mesmo que parcialmente, da minha história e logo depois, os via se afastando ou eu os afastava, ninguém quer se responsabilizar pelo sofrimento alheio, mesmo que seja com um simples conselho. Isso foi bom, me tornou forte, consegui blindar meu coração para determinados sentimentos, pena não para todos os sentimentos.
Me sinto vivendo num deserto, andando sem rumo, sem água, sem forças, mas de repente, avisto um oásis incrivelmente belo, com frutos e água em abundância e todo cansaço é substituído por vivacidade e entusiasmo, a alegria é radiante, felicidade perfeita. O que vem depois todo mundo sabe, nada era de verdade, tudo ilusão.
Essa montanha russa de sentimentos e instabilidade de humor, não tem nenhuma graça, é irritante até para quem está próximo, pois gera uma espécie de pena e repugnância, pois julgam logo ser um fricote de quem tem muito, mas não valoriza.
Concordo, eu mesmo sinto isso por alguns, mas como todos dizem, eu digo: meu caso é diferente. Será?
Mas não quero convencer ninguém das minhas convicções e revoltas com o mundo e seu Comandante, mesmo porque, também tenho agradecimentos e admiração, e assim sigo sem graça, ora vivendo, ora sobrevivendo, mas sempre tentando... até quando? não sei.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Gordinho e fofinho
Pelo o título deste post, pelo menos dois amigos estão pensando que vou homenageá-los, por isso vou logo adiantando: Não, Bruno Botto, apesar de sua contribuição para este diário e claro, para minha vida, não estou falando de você. Não, Marcelo Vilar, não é mais um episódio da série "Tire Onda do Gordinho".
No post passado, fui indiretamente criticado por assistir e insistir num único desenho de animação (entendi tudinho dona Mayra), portanto farei uma breve e seletiva analise sobre um outro desenho, que não ouso chamar de infantil, intitulado Kung fu Panda.
Serei breve, pois falarei de uma única cena, onde um gordinho, fofinho, atrapalhado e desacreditado urso panda, ouve de seu mestre algo que mudará sua vida, uma frase que nunca havia lido nem nas minhas mais profundas buscas por pensamentos "motivacionais" em livros de auto-ajuda, segue:
Ontem é história, amanhã é mistério, Hoje é uma dádiva, por isso que é chamado presente.
Claro que o seu sentido é bastante comum, até mesmo no clichê (para alguns), embora ainda filosófico e místico "Carpe Diem". Mas confesso que ao ouvi esta frase fiquei sentido, pois estava completamente relaxado, esperando apenas diversão gratuita e inocente, mas recebo a dose certa no momento perfeito do que eu mais precisava, consciência de que existe algo além do que vejo.
Precisava que alguém me dissesse, mesmo que uma versão melhorado do Mestre Splinter (meu grande mestre na infância), que devemos, mesmo que por gratidão, fazer o melhor, aproveitar a vida, e no fim, devolver para Aquele que nos emprestou, uma vida íntegra, digna e honrada.
No post passado, fui indiretamente criticado por assistir e insistir num único desenho de animação (entendi tudinho dona Mayra), portanto farei uma breve e seletiva analise sobre um outro desenho, que não ouso chamar de infantil, intitulado Kung fu Panda.
Serei breve, pois falarei de uma única cena, onde um gordinho, fofinho, atrapalhado e desacreditado urso panda, ouve de seu mestre algo que mudará sua vida, uma frase que nunca havia lido nem nas minhas mais profundas buscas por pensamentos "motivacionais" em livros de auto-ajuda, segue:
Ontem é história, amanhã é mistério, Hoje é uma dádiva, por isso que é chamado presente.
Claro que o seu sentido é bastante comum, até mesmo no clichê (para alguns), embora ainda filosófico e místico "Carpe Diem". Mas confesso que ao ouvi esta frase fiquei sentido, pois estava completamente relaxado, esperando apenas diversão gratuita e inocente, mas recebo a dose certa no momento perfeito do que eu mais precisava, consciência de que existe algo além do que vejo.
Precisava que alguém me dissesse, mesmo que uma versão melhorado do Mestre Splinter (meu grande mestre na infância), que devemos, mesmo que por gratidão, fazer o melhor, aproveitar a vida, e no fim, devolver para Aquele que nos emprestou, uma vida íntegra, digna e honrada.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Você é um homem muito triste e estranho, morro de pena, adeus.
O título deste post é a resposta de Buzz, o patrulheiro espacial, à frase título do post passado dita por woody, o cowboy, ambos do filme de animação Toy Story.
Sinto ouvir essa frase diariamente, não com palavras, mas pelos olhares de alguns. Não posso condenar ninguém, de certa forma eles têm razão, não o tempo todo, mas na maioria do tempo eu mesmo me definiria assim, um homem triste e estranho.
Podemos discutir por horas se tenho motivos para isto ou não, mas não chegaríamos a lugar nenhum, pois dependeria do ponto de vista, da forma que se olha a vida e os problemas, copo meio vazio ou meio cheio.
Para Buzz, a resposta se dá pela insistência de Woody ao tentar convencê-lo de que ele não é o que ele piamente acredita ser, um patrulheiro espacial, responsável pela paz no mundo. Não acredito ser nada parecido com isso, mas sofro da mesma opressão, todos me dizem que não sou o que acredito ser.
Na ficção, ao descobrir que estava enganado acerca de sua identidade, Buzz sofreu muito, mas no fim, descobriu que sua nova "existência" era muito melhor que a antiga e foi feliz com ela. Digamos que estou na fase do sofrimento por descobrir que não sou aquilo que acreditei ser desde o princípio da minha vida e espero um dia poder me orgulhar dessa nova vida que tão bruscamente descobrir ter e ser tão feliz quanto.
Sinto ouvir essa frase diariamente, não com palavras, mas pelos olhares de alguns. Não posso condenar ninguém, de certa forma eles têm razão, não o tempo todo, mas na maioria do tempo eu mesmo me definiria assim, um homem triste e estranho.
Podemos discutir por horas se tenho motivos para isto ou não, mas não chegaríamos a lugar nenhum, pois dependeria do ponto de vista, da forma que se olha a vida e os problemas, copo meio vazio ou meio cheio.
Para Buzz, a resposta se dá pela insistência de Woody ao tentar convencê-lo de que ele não é o que ele piamente acredita ser, um patrulheiro espacial, responsável pela paz no mundo. Não acredito ser nada parecido com isso, mas sofro da mesma opressão, todos me dizem que não sou o que acredito ser.
Na ficção, ao descobrir que estava enganado acerca de sua identidade, Buzz sofreu muito, mas no fim, descobriu que sua nova "existência" era muito melhor que a antiga e foi feliz com ela. Digamos que estou na fase do sofrimento por descobrir que não sou aquilo que acreditei ser desde o princípio da minha vida e espero um dia poder me orgulhar dessa nova vida que tão bruscamente descobrir ter e ser tão feliz quanto.
terça-feira, 30 de março de 2010
Você é um brinquedo de uma criança
O título deste post é a frase dita por "Woody", o cowboy, para "Buzz", o patrulheiro espacial, ambos do filme de animação Toy Story. Sempre ouvi a frase, mas nunca atentei para a mensagem que havia nela. Só após mergulhar no profundo da alma, pude reparar que tenho uma incumbência, uma obrigação, um privilégio, ser o brinquedo de uma criança. Um brinquedo ora lúdico, ora didático, mas um brinquedo, que tem a obrigação de alegrar, educar, cuidar, proteger, e principalmente amar uma criança.
Esse cargo é tão importante, que deixa qualquer problema insignificante, e é triste saber que esqueci isso por alguns dias. Mas eis que chega um grande pequeno homem, dá uma tapa na minha cara e diz: “Dorme não papai. Vem bincar comi. Quer tabaiá no teu contador. Vamu tocá iolão, papai? Limpa mim, papai, tem cocô. Vamu bincar de garra, papa? Onde tá meu woodhi, buzzi, frajoli, pinoqui, furca, iponja?”. Bom, não vou traduzir, quem tem filhos consegue falar "criancês" e entendeu tudo, quem não, mas pretende, aguarde sua hora.
É incrível como uma pequena bola de carne, branca e peluda (essas especificações, podem variar de criança para criança) pode ser tão chata, tão pentelha, e ainda assim ser tão agradável, pelo menos adoro ter esse trabalho, esse fardo (para alguns).
Parece ser um pensamento clichê, mas acho que o meu filho é o mais lindo, inteligente, forte, esperto, bonito, alto, saudável, gostoso, maravilhoso, grande, sabido, simpático, charmoso, legal e bondoso de todo o mundo (sem redundância) e isso me deixa orgulhosamente feliz, e acompanhar seu crescimento, ou melhor, participar do seu crescimento está me tornando alguém mais ameno, talvez até agradável de conviver, será?
A gratuidade e sinceridade do amor de uma criança são incríveis, ela não está atrás de conforto, de facilidades. Por mais que você o encha de presentes, ao passar o frenesi, ela vai desejar os braços dos pais. Ela não quer saber se vai andar de ônibus e comer “cream cracker“ com “ki-suco” ou andar de carro do ano, tomar ovomaltine e leite com pêra, ela quer estar ao lado de quem ama. O patrimônio de uma criança são as pessoas e não os brinquedos.
Claro, é hipocrisia dizer que elas não gostam de luxo, que não vão desejar um carrinho de controle remoto, mas confesso uma coisa, eu tive carrinhos de controle remoto, melhor, tive aviões de controle remoto, mas sinto uma decepção tremenda por um dia meu pai ter se negado a fazer uma pipa pra mim, enquanto os meus amiguinhos (que não tinha carrinhos, nem aviões de controle remoto) estavam felizes e satisfeitos com brinquedos feitos de palitos de palha de coqueiro, papel de seda, cola branca e linha 10 (tá aí os ingredientes para confecção da pipa, pra quem já deu um carrinho, mas nunca parou para brincar com o seu filho).
Desejo do fundo do meu coração que consiga amar como uma criança, com toda essa sinceridade e gratuidade, que deixe de colecionar as coisas erradas, de desejar conforto e efemeridades, enquanto os pequenos e simples momentos que realmente importam, passam despercebidos e quando acorde, esteja inundado de coisas, bens materiais, lambuzado e impregnado do preço pago por tudo aquilo, mas infeliz, pensando em como seria minha vida se tivesse enfrentado o mundo pelo o que achava certo, o amor.
Esse cargo é tão importante, que deixa qualquer problema insignificante, e é triste saber que esqueci isso por alguns dias. Mas eis que chega um grande pequeno homem, dá uma tapa na minha cara e diz: “Dorme não papai. Vem bincar comi. Quer tabaiá no teu contador. Vamu tocá iolão, papai? Limpa mim, papai, tem cocô. Vamu bincar de garra, papa? Onde tá meu woodhi, buzzi, frajoli, pinoqui, furca, iponja?”. Bom, não vou traduzir, quem tem filhos consegue falar "criancês" e entendeu tudo, quem não, mas pretende, aguarde sua hora.
É incrível como uma pequena bola de carne, branca e peluda (essas especificações, podem variar de criança para criança) pode ser tão chata, tão pentelha, e ainda assim ser tão agradável, pelo menos adoro ter esse trabalho, esse fardo (para alguns).
Parece ser um pensamento clichê, mas acho que o meu filho é o mais lindo, inteligente, forte, esperto, bonito, alto, saudável, gostoso, maravilhoso, grande, sabido, simpático, charmoso, legal e bondoso de todo o mundo (sem redundância) e isso me deixa orgulhosamente feliz, e acompanhar seu crescimento, ou melhor, participar do seu crescimento está me tornando alguém mais ameno, talvez até agradável de conviver, será?
A gratuidade e sinceridade do amor de uma criança são incríveis, ela não está atrás de conforto, de facilidades. Por mais que você o encha de presentes, ao passar o frenesi, ela vai desejar os braços dos pais. Ela não quer saber se vai andar de ônibus e comer “cream cracker“ com “ki-suco” ou andar de carro do ano, tomar ovomaltine e leite com pêra, ela quer estar ao lado de quem ama. O patrimônio de uma criança são as pessoas e não os brinquedos.
Claro, é hipocrisia dizer que elas não gostam de luxo, que não vão desejar um carrinho de controle remoto, mas confesso uma coisa, eu tive carrinhos de controle remoto, melhor, tive aviões de controle remoto, mas sinto uma decepção tremenda por um dia meu pai ter se negado a fazer uma pipa pra mim, enquanto os meus amiguinhos (que não tinha carrinhos, nem aviões de controle remoto) estavam felizes e satisfeitos com brinquedos feitos de palitos de palha de coqueiro, papel de seda, cola branca e linha 10 (tá aí os ingredientes para confecção da pipa, pra quem já deu um carrinho, mas nunca parou para brincar com o seu filho).
Desejo do fundo do meu coração que consiga amar como uma criança, com toda essa sinceridade e gratuidade, que deixe de colecionar as coisas erradas, de desejar conforto e efemeridades, enquanto os pequenos e simples momentos que realmente importam, passam despercebidos e quando acorde, esteja inundado de coisas, bens materiais, lambuzado e impregnado do preço pago por tudo aquilo, mas infeliz, pensando em como seria minha vida se tivesse enfrentado o mundo pelo o que achava certo, o amor.
domingo, 28 de março de 2010
Arrependimento
Não tenho mais quem culpar, acho que já usei todos, e com isso, consigo me afastar deles, dos que verdadeiramente me amaram. Hoje, como em todos os outros dias, não consegui pensar com sanidade, nem ao menos com gratidão e me precipitei, cometi mais um erro, ato tão comum na minha vida, que já desacredito se poderei um dia fazer a coisa certa.
Tenho tanta pena de mim que me odeio por isso, pois sempre julguei o resultado da minha vida como produto do meio, mas não sei se estou certo, se a culpa disso tudo não foi única e exclusivamente minha, da minha falta de atitude, ou o excesso dela (de forma prematura e inconsequente).
Odiei as pessoas erradas, amei as pessoas erradas, me dediquei a quem quis me usar e negligenciei que queria apenas minha atenção, não consigo ver o óbvio, minha hereditária decepção com a vida e as pessoas me cegou, só tenho ódio, angústia e dor dentro de mim, mas sinto que não tenho motivos pra tudo isso.
Talvez se pudesse ver as coisas, a vida, as pessoas com clareza, enxergasse uma vida boa, pelo menos razoável. Mas pelo contrário, só me lamento por estar onde estou, por ser quem eu sou. Sempre achei que deveria estar em outro lugar, ser outra pessoas, pois se “outros” não tivessem cometido alguns erros, tudo seria diferente.
Sinto inveja de quem teve um pai presente e carinhoso, eu não tive. Sinto inveja de quem perdeu o pai cedo, mas pode ao menos se beneficiar do que ele deixou, eu não pude. Sinto raiva de quem valoriza as coisas e não as pessoas, mas acho que só sinto isso, porque só tenho as pessoas (pelo menos aquelas que não cobram nada por isso).
Sinto um arrependimento tão grande pelas coisas que faço, que acho que já dei vida a ele, que é esse ser, o “arrependimento”, que me visita, me causa dor, me maltrata e me faz maltratar as pessoas com minha teatral dureza e frieza, quando na verdade sou um poço de sentimentalidades baratas, um homem que chora escondido como a mais manhosa das crianças, mas não tem coragem de revelar a ninguém.
Por falar em arrependimento, já estou extremamente arrependido de ter escrito isso, pois por mais que saiba que poucas pessoas (mais importantes) lerão, farei com que sintam pena de mim, e a pena é um sentimento ardoroso, pontiagudo e impiedoso, que me deixará ainda mais triste, rancoroso e infeliz.
Tenho tanta pena de mim que me odeio por isso, pois sempre julguei o resultado da minha vida como produto do meio, mas não sei se estou certo, se a culpa disso tudo não foi única e exclusivamente minha, da minha falta de atitude, ou o excesso dela (de forma prematura e inconsequente).
Odiei as pessoas erradas, amei as pessoas erradas, me dediquei a quem quis me usar e negligenciei que queria apenas minha atenção, não consigo ver o óbvio, minha hereditária decepção com a vida e as pessoas me cegou, só tenho ódio, angústia e dor dentro de mim, mas sinto que não tenho motivos pra tudo isso.
Talvez se pudesse ver as coisas, a vida, as pessoas com clareza, enxergasse uma vida boa, pelo menos razoável. Mas pelo contrário, só me lamento por estar onde estou, por ser quem eu sou. Sempre achei que deveria estar em outro lugar, ser outra pessoas, pois se “outros” não tivessem cometido alguns erros, tudo seria diferente.
Sinto inveja de quem teve um pai presente e carinhoso, eu não tive. Sinto inveja de quem perdeu o pai cedo, mas pode ao menos se beneficiar do que ele deixou, eu não pude. Sinto raiva de quem valoriza as coisas e não as pessoas, mas acho que só sinto isso, porque só tenho as pessoas (pelo menos aquelas que não cobram nada por isso).
Sinto um arrependimento tão grande pelas coisas que faço, que acho que já dei vida a ele, que é esse ser, o “arrependimento”, que me visita, me causa dor, me maltrata e me faz maltratar as pessoas com minha teatral dureza e frieza, quando na verdade sou um poço de sentimentalidades baratas, um homem que chora escondido como a mais manhosa das crianças, mas não tem coragem de revelar a ninguém.
Por falar em arrependimento, já estou extremamente arrependido de ter escrito isso, pois por mais que saiba que poucas pessoas (mais importantes) lerão, farei com que sintam pena de mim, e a pena é um sentimento ardoroso, pontiagudo e impiedoso, que me deixará ainda mais triste, rancoroso e infeliz.
sábado, 27 de março de 2010
O Manto negro
Me vestir do obscuro, do trágico, do fim do mundo. Um manto negro que cobre toda minha existência e me faz olhar apenas para mim mesmo. Vejo todos os erros e todos os errantes, que de alguma forma permiti que arrancassem um pedaço de mim.
Me enclausurei na minha própria sobra, esta densa, como um fardo a carrego para nunca esquecer que o sofrimento é um opção, pois a morte e a sorte são primas tão apegadas, que a falta de uma leva a outra. Mas só uma pode ser forçada, preciso fazer minha escolha...
Nesta minha particular caverna, recebo constantes visitas, um ser horrendo, uma mistura de todos os desenhos feitos para inimigo dos céus, o derradeiro anjo caído que vive nas trevas, e assim como podem imaginar não é uma visita amistosa, mesmo que ele sempre estenda sua mão (se é que podemos chamar aquilo de mão).
Neste momento ouço apenas sua respiração ofegante como de um animal assustado, sinto frio enquanto transpiro e tento me livrar das amarras, pois sempre que ele aparece fico preso, completamente paralisado. As vezes ele se mantém distante, outras se aproxima tanto que me sinto fraco, como se a vida estivesse ficando pra trás.
Não posso gritar, correr, e isso é agonizante. As vezes, decido desistir de lutar e me entrego, mas quando começo a sentir o seu abraço contorcer os meus ossos e a minha respiração falhar, volto a lutar e acordo do sonho que por vezes desejei ter.
Nesta introspectiva odisséia, onde luto com meus próprios monstros, não consigo achar o caminho de volta, por mais que mude de direção estou sempre perdido, coberto pelo manto negro.
Me enclausurei na minha própria sobra, esta densa, como um fardo a carrego para nunca esquecer que o sofrimento é um opção, pois a morte e a sorte são primas tão apegadas, que a falta de uma leva a outra. Mas só uma pode ser forçada, preciso fazer minha escolha...
Nesta minha particular caverna, recebo constantes visitas, um ser horrendo, uma mistura de todos os desenhos feitos para inimigo dos céus, o derradeiro anjo caído que vive nas trevas, e assim como podem imaginar não é uma visita amistosa, mesmo que ele sempre estenda sua mão (se é que podemos chamar aquilo de mão).
Neste momento ouço apenas sua respiração ofegante como de um animal assustado, sinto frio enquanto transpiro e tento me livrar das amarras, pois sempre que ele aparece fico preso, completamente paralisado. As vezes ele se mantém distante, outras se aproxima tanto que me sinto fraco, como se a vida estivesse ficando pra trás.
Não posso gritar, correr, e isso é agonizante. As vezes, decido desistir de lutar e me entrego, mas quando começo a sentir o seu abraço contorcer os meus ossos e a minha respiração falhar, volto a lutar e acordo do sonho que por vezes desejei ter.
Nesta introspectiva odisséia, onde luto com meus próprios monstros, não consigo achar o caminho de volta, por mais que mude de direção estou sempre perdido, coberto pelo manto negro.
Assinar:
Postagens (Atom)